sábado, 11 de setembro de 2010

Art in DC



sexta-feira, 25 de setembro de 2009

sábado, 14 de fevereiro de 2009

Por que a dor existe? Para que se faca cinema. A Berlinale vista por uma filosofa

Um pouco da Berlinale visto por uma filósofa.

Ao acompanhar a Berlinale, nos vem a mente a expressao de Hegel: filosofar é transformar seu tempo em conceito. Talvez neste ocaso da Filosofia no inicio do seculo XXI, o cinema cumpra agora esse papel de traducao do que acontece, nao mais através de conceitos, mas de imagens. E as imagens que vemos nas grandes telas do 59. Festival de Berlim mostram as feridas do mundo. Nada mais propício para isso do que a Alemanha, aqui onde as grandes atrocidades foram cometidas e cujas feridas ainda estao abertas.

Depois de alguns dias de Berlinale, o cinema parece ter a missao de falar sobre a dor, de curá-la e exorcizá-la atraves de imagens em movimento. Assim ,vemos em Cherri a dor de uma cortesa que se separa de um amante mais jovem, vemos a miséria e a alegria do Peru e da América Latina em La Teta assustada, sentimos a ilusao e desilusao amorosa da adolescente em A Education, assistimos à terrível descricao de um estupro em Kataklin Varga. Morte ,amor, decadencia, traicao, guerra, violência, disso tudo vive a arte e dela se alimenta. Feridas novas e antigas: faixa de Gaza, guerra no Iraque e, ainda, no instigante The Reader, a sombra dos campos de concentracao nazistas.

Todas as feridas do mundo estao aqui e nao passaram, nem passarao. O que se pode fazer sobre elas? Ou, numa resposta à uma pergunta metafísica que sempre assolou os filósofos: se Deus é bom, porque existe a dor? E uma resposta de Berlim: para que se faca cinema.


abs,
Dudi de Berlim

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

sábado, 27 de dezembro de 2008

A inteligência e o poder estragam as mulheres?

Seria a inteligência um atributo masculino? Segundo o filósofo Immanuel Kant, a mulher poderia chegar a ter inteligência, contudo, com isso ela despertaria apenas respeito do homem, mas não mais seu amor e perderia todo o poder que ela poderia ter sobre o sexo forte. Tal é dito no texto Observações sobre o sentimento do belo e do sublime.[1] O esforço na Ciência é sublime, pesado, portanto é masculino; o sexo feminino é belo, leve, ele apraz imediatamente. O enorme esforço para entender Descartes, Leibniz, as equações de Newton desperta o sentimento do sublime, não do belo, por isso é contrário à natureza feminina. Elas poderiam se deixar levar por esta dura empreitada, contudo, perderiam aquilo que nelas agrada imediatamente, sua beleza e leveza:
“O estudo laborioso ou a especulação penosa, mesmo que uma mulher nisso se destaque, sufocam os traços que são próprios a seu sexo; e não obstante dela façam, por sua singularidade, objeto de uma fria admiração, ao mesmo tempo enfraquecem os estímulos por meio dos quais exerce seu grande poder sobre o outro sexo.”[2]
Kant vai se referir a algumas mulheres do século XVIII que ousaram adentrar em campos do conhecimento considerados masculinos: Anne Dacier ( 1654-1720) comentou e traduziu clássicos grego-romanos e Gabrielle Emilie (1704-1749), marquesa de Châtelet intimamente ligada a Voltaire, traduziu e comentou os Principia de Newton:
“A uma mulher que tenha a cabeça entulhada de grego, como a senhora Dacier, ou que trave profundas discussões sobre mecânica, como a Marquesa de Châtelet só pode mesmo faltar uma barba, pois com esta talvez consigam exprimir melhor o ar de profundidade a que aspiram”.[3]
Para amar alguém, precisamos nos sentir superior a tal pessoa: “Nós precisamos mais ser honrados do que amados, mas nós também precisamos algo para amar com que não estejamos em rivalidade. Então amamos pássaros, cachorros ou uma pessoa jovem, inconstante e querida.” (R 1471, 15:649).

Teria Kant ainda razão? A pergunta “Seria a inteligência um atributo masculino?” se transformaria em “queremos ser inteligentes e despertar apenas o respeito masculino e não mais seu amor”? A inteligência “estraga” as mulheres?
Poder e inteligência são tradicionalmente atributos eróticos masculinos e beleza e juventude atributos eróticos femininos.
Talvez alguns se lembrem ou tenham visto documentário sobre a tentativa de Henry Kissinger aproximar-se da China comunista. Numa histórica reunião entre o então presidente Mao Tse Tung e Henry Kissinger, para quebrar o gelo daquela que devia ser uma das mais tensas reuniões da política do século XX, Mao Tse Tung arriscou uma primeira pergunta a Henry Kissinger. Como ele, sendo tão gordo, fazia tanto sucesso com as mulheres? Ao que ele respondeu com a famosa frase: o poder é afrodisíaco.
Assim como Kant, Kissinger também sabia que o poder era afrodisíaco, desde que fosse um atributo masculino. O poder e o saber são afrodisíacos, enquanto propriedades do homem. Isso pode ser tomado em dois sentidos: as mulheres são atraídas por homens que possuem tais qualidades, sem dúvida. Mas existe um outro sentido, inexplorado nesta afirmação de Henry Kissinger: os homens gozam o próprio espetáculo narcísico de exibição de seu poder e saber, espetáculo que excita, antes de tudo, a eles próprios. O espetáculo de inteligência feminina roubaria a cena e tornaria aquele contato anti-erótico.
[1] Kant, Observações sobre o belo e o sublime (Campinas: Papirus, 2000).
[2] Ibid., p. 49
[3] Ibid. p. 49
[4] Ibid. p. 25

sábado, 20 de dezembro de 2008

Carta aberta ao jornalista Fifo: Trop c'est trop

Caro Fifo:

Em francês há uma expressao que diz "Trop c' est trop!, que poderia ser traduzida por "já está demais". Entao eu gostaria de usar essa expressao para expressar a minha indignacao relativa à exposicao e crítica que voce faz ao cineasta Zeca Pires no seu blog. Diria como os franceses: "trop c' est trop"! Sua carta ao cineasta expoe uma das maiores figuras da arte catarinense sem nenhum propósito construtivo.
Sei que , ao final do ano, os cérebros ficam cansados e sem idéias, mas sugiro que, na falta de assunto, voce discuta, entao, a política de fomento do Estado de SC, suas leis de incentivo à cultura, a dificuldade de captacao etc. Ou seja, algo que edifique, algo que inspire, algo que ofereca um horizonte promissor àqueles que já lutam com tanta dificuldade pela Arte.
Inspire-se no clima natalino e faca algo de bom e útil ao cinema catarinense.

da Dudi

domingo, 14 de dezembro de 2008

Ética e Cinema

Aos artistas nunca se exigiu ética e muitos foram perdoados pela história quando colaboraram com o regime nazista em nome de sua arte. Mas em tempos que nao sao de guerra, será possivel aceitar que o cinema seja o lugar do vale tudo e que uma pessoa seja penalizada por erros que nao foram seus? A Estética e a Ética sao domínios tao independentes que nao se encontre nenhum resquício desta naquela?

O recente épisódio de desclassificacao do filme Olhos Cegos, direcao de Maria Emilia Azevedo e produção de Zeca Pires nos faz notar a necessidade de questionamentos éticos também na esfera da arte.

O cineasta Zeca Pires está sendo penalizado por nao ter finalizado um filme, A Antropóloga, para o qual o governo do Estado nao repassou as verbas no tempo devido. Ao mesmo tempo, quem impetrou o recurso visando sua desclassificacao de Olhos Cegos foi a cineasta Tania Lamarca que faz parte da equipe de produçãoo do longa A Antropóloga. Nada contra recursos, eles fazem parte da democracia e do Estado do Direito. Mao nao deveríamos esperar aqui um pouco de solidariedade de alguém que conhece as condicoes pelas quais A Antropóloga nao foi finalizado, pois fazia parte da equipe de producao? Ou solidariedade e decência sao termos que nao podem ser aplicados ao cinema? Seria o cinema, assim como a guerra, um lugar onde tudo o que é ético se desvanece e perdermos a noção de bem e mal?

A desclassificação pela FCC do filme Olhos Cegos devido a erros do próprio governo do Estado fariam corar, pela sua injustica, ate mesmo os idealizadores dos regimes de excecao.E nos leva à reflexão da necessidade da ética na arte.

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Café Filosófico- Literário Igrejinha do DAC 5 a 7 de novembro

Programação: 05/11 - Quarta-feira (Local: Teatro da Igrejinha no DAC)

16h30min - Palestra ´Ana Cristina Cesar: Retrato, ainda`, com Maria L.Camargo/ PRPG 17h30min - Palestra ´O nativo mediante o estrangeiro: Hölderlin e Dostoievski`, com Cláudia Drucker/ CFH
18h30min - Palestra com Liliana Reales - CCE (tema a confirmar)
19h30min - Palestra ´Pirataria no palco: a encenabilidade do Primeiro In-Quarto de Hamlet?`, com José Roberto O´Shea/ CCE 06/11 -

Quinta-feira (Local: Teatro da Igrejinha no DAC)
14h - Palestra ´Habermas e a reformulação da teoria crítica`, com Delamar Dutra - CFH
15h - Palestra ´A ilusão da desilusão. Da sedução da análise à fascinação da técnica`, com Celso Braida - CFH
16h30min - Palestra ´Cansaço e fuga pânica: questões blanchotianas`, com Sérgio Medeiros - CCE
17h30min - Palestra ´John Cage e a poética do silêncio`, com Alberto Eller - CCE
19h30min - Apresentação do Coral da UFSC 07/11 -

Sexta-feira (Local: Teatro da Igrejinha no DAC)
14h - Palestra ´A metafísica como terra do nunca`, com Luiz Hebeche -CFH
15h - Palestra ´Existem romances filosóficos`, com Alessandro Pinzani - CFH
16h30min - Palestra ´A anfisbena existe`, com Raul Antelo - CCE
17h30min - Palestra ´Mr. Hyde e o Fim da Literatura`, com Vinicius Figueiredo - UFPR

sábado, 11 de outubro de 2008

Semana de Teatro da UFSC

de 13 a 17 de Outubro

Centro de Cultura e Eventos
Teatro da UFSC- DAC



quarta-feira, 24 de setembro de 2008

semana ousada de arte UFSC UDESC

Sarau
http://video.google.de/videoplay?docid=-6538657520051449362&hl=de

Performance PHD
http://video.google.de/videoplay?docid=-5268868296756294489&hl=de

Filmando um cineasta
http://video.google.de/videoplay?docid=7975283470324276387&hl=de
http://video.google.de/videoplay?docid=-5158138661697760208&hl=de

Lave suas maos
http://video.google.de/videoplay?docid=-5931202986417321461&hl=de

Portunhol selvagem
http://video.google.de/videoplay?docid=7285530442345801967&hl=de

Abertura da semana ousada: um sonho sonhado virando realidade

Há alguns anos atrás, quando eu ainda era coordenadora da pós-graduação em Filosofia, conheci um Pró-reitor que me encantou pela sua dedicação à ciência, pela sua inteligência e sensibilidade. Com ele, eu sonhei alguns sonhos, entre os quais, o de uma Universidade Culta e Ousada.
Magnífico Reitor Prof. Álvaro Prata, esse é o nosso sonho que começa a acontecer.
Muitas pessoas trabalharam para que essa semana fosse possível. As meninas super- poderosas, Rose, Sandra e Ana da Secarte são as que tornaram nosso sonho realidade. Gostaria de agradecer a toda minha equipe: Clovis, Zeca, Lia, Joi, Barbosa, dona Ana e as pessoas que fizeram essa semana acontecer: Juliana, Ana, Jucélia, Sergio Medeiros, Clóvis Werner, Alai e as meninas maluquinhas Aglair e Clélia. À Débora, Pró-Reitora de pesquisa e extensao, pela sua generosidade, ao Paraná e ao Petrus e pelo apoio aos projetos da Secarte.
A todos que acreditaram que é possível transformar a UFSC numa Universidade para a qual a arte vale o mesmo que a ciência e a cultura o mesmo que a técnica.
Gostaria também de agradecer à Claudia Messores, pela pureza em não reconhecer rivalidades entre as duas Universidades, UFSC e UDESC e pela alegria contagiante. À FCC, especialmente à Anita Pires, sempre aberta a novas iniciativas e uma grande incentivadora da cultura em nosso Estado. Ao Banco do Brasil, que nos apoiou mesmo com uma solicitação tão em cima da hora.
Algumas pessoas em ensinaram que a arte é uma luta constante. Há algum tempo atrás, alguém escreveu numa revista:
“Esta revista se propõe, na medida das coisas possíveis, revelar os valores novos e acompanhar as idéias do mundo atual”. Tal foi escrito pelo Prof. Aníbal Nunes Pires, cujo filho, Zeca Pires, eu tenho o prazer de ter ao meu lado nesta luta pela arte e cultura em Santa Catarina.
Que essa memória, que é uma memória da cultura catarinense, inspire e abençoe a nossa trajetória.
Obrigada,
Dudi